Quando temos uma filha, acabamos a chamando de "princesa". Algumas menininhas são "verdadeiras princesas". Descobri que esse era o caso da Alice ao conhecer o conto de Christian Andersen (Real Princess ou The Princess and the Pea)
Era uma vez um príncipe que desejava para esposa uma princesa – mas devia ser uma verdadeira princesa! Viajou, pois, por todo o mundo para achá-la. Princesas é que não faltavam, mas todas tinham os seus senões, e ele nunca chegava a certificar-se se eram de fato verdadeiras princesas, tais eram as falhas que sempre descobria nelas. Voltou para casa triste e abatido. Desejava tanto encontrar uma verdadeira princesa!
Uma noite sobreveio tremenda tempestade; relâmpagos rasgavam o céu e a chuva caía aos borbotões. Era uma coisa horrível! Foi quando alguém bateu à porta do castelo. E o próprio rei foi abrir.
Lá fora estava uma princesa. Mas quanto sofrerá ela com a chuva e a tempestade! A água corria-lhe pelos cabelos e pelas vestes, entrava pelo bico dos sapatos e saía pelo calcanhar. Disse ela que era uma princesa verdadeira.
- É o que vamos ver! – pensou a velha rainha ao vê-la.
Nada disse, porém. Foi ao quarto, tirou toda a roupa da cama e colocou um grão de ervilha sobre o estrado. Depois, tomou vinte colchões e colocou-os seguidamente por cima da ervilha. Sobre os colchões, colocou vinte acolchoados de pena.
Ali a princesa devia dormir aquela noite.
Pela manhã, perguntaram-lhe como tinha dormido.
- Muito mal! – disse ela. – Não pude pregar olho a noite toda! Sabe Deus o que havia naquela cama! Estive deitada sobre alguma coisa dura, que me deixou com o corpo marcado. Um horror!
Viram então que se tratava de uma verdadeira princesa, já que ela sentira o grão de ervilha através de vinte colchões e vinte acolchoados. Só mesmo uma verdadeira princesa teria uma pele tão sensível!
O príncipe tomou-a por esposa, pois sabia que encontrara uma verdadeira princesa. O grão de ervilha foi colocado no museu do palácio, onde ainda está, se é que ninguém o levou.